Publicado em 29/01/2017 às 11h57

Agronegócios dribla inflação e injeta até R$ 237 bi no país

Setor é um dos poucos que têm o que festejar em meio à recessão

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São Paulo. Na boca da safra, a agricultura é um dos poucos setores que têm o que comemorar em meio à recessão. Puxada pela dobradinha soja e milho, a receita da produção de grãos que começa a ser colhida no Centro-Sul deve passar de R$ 200 bilhões este ano. É uma cifra recorde, assim como o volume de produção, e com ganhos acima da inflação. Esse resultado funciona como uma injeção de ânimo na economia do interior do país e traz alívio para os preços dos alimentos, que foram os vilões do custo de vida em 2016.

A agropecuária, segundo os dados mais recentes do IBGE, representou mais da metade da atividade econômica em 1.135 municípios do país em 2014. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima colheita de 215 milhões de toneladas de grãos e renda de R$ 237,7 bilhões. O economista da CNA Renato Conchon diz que a receita deste ano avança quase 14% em relação à de 2016, descontada a inflação.

Já o economista Fabio Silveira, sócio da consultoria MacroSector, prevê safra um pouco menor, de 211,4 milhões de toneladas, admitindo riscos de perdas. Ele estima receita de R$ 226,1 bilhões. Diferenças à parte, o dinheiro que começa a circular nas cidades do interior já está irrigando o comércio local. A rede de lojas Havan, por exemplo, especializada em vestuário, tem 25 lojas no Paraná. Destas, 13 estão em cidades do agronegócio e tiveram aumento de vendas de 20% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2016.

O ânimo dos produtores rurais aparece também nas vendas de máquinas agrícolas. Em dezembro, quando iniciam os preparativos da colheita, houve crescimento de 84% em relação a 2015.


EL NIÑO

Clima tem ajudado para bom resultado

O resultado favorável da renda do campo deste ano reverte a frustração que houve em 2016, quando a produção recuou por causa das perdas climáticas provocadas pelo El Niño. “2016 é um ano para ser esquecido”, diz Leandro Cezar Teixeira, gerente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá (PR).

A região, dominada pela soja, teve perdas de 30% em 2016, mas se recuperou este ano. Apesar da menor cotação da saca de soja neste ano – R$ 68 ante R$ 72,50 em 2016 – Teixeira conta que os produtores estão animados e um grande número deles não vendeu a safra antecipadamente. É um sinal de baixo endividamento do produtor e de que o preço é favorável.

Outro sinal positivo aparece nas compras de insumos. Na Cocamar, a venda de sementes, adubos e defensivos cresceu 25% este ano.

(Fonte O TEMPO)

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