Publicado em 27/07/2018 às 17h15

ESTABELECIMENTOS AGROPECUÁRIOS CRESCEM NO ESTADO

Minas registrou alta de 10% no número de estabelecimentos e 14% na área total

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O Censo Agro 2017 em Minas Gerais identificou, até o dia 30/6/2018, 607,4 mil estabelecimentos agropecuários, alta de 10% em relação ao Censo Agro 2006, em uma área total de 37,9 milhões de hectares (ha). A diferença de área entre os dois censos cresceu 4,8 milhões de ha. “Além da acurácia do Censo, pode ter ocorrido melhor identificação das propriedades após o desmembramento das mesmas”, disse a coordenadora da assessoria técnica da FAEMG, Aline Veloso.

Minas Gerais apresentou distribuição de área mais equilibrada em relação ao Brasil. Verifica-se que, na faixa menor que 20ha, o percentual de estabelecimentos é maior no país do que no estado; porém, a área ocupada por esses é maior em Minas do que no Brasil. Já, nas duas faixas intermediárias (entre 20 e 200 ha e entre 200 e 2.500 ha), tanto o percentual do número de estabelecimentos quanto da área são superiores no estado que no país. Na última faixa, que considera os maiores estabelecimentos (acima de 2.500 ha), tanto o percentual do número de estabelecimentos quanto da área ocupada são maiores no Brasil do que em Minas.

 

Utilização de terras

51% da área dos estabelecimentos em Minas é destinada à pastagem, seguida por matas naturais (24,4), lavouras temporárias (10,5%), florestas plantadas (5,1%), lavouras permanentes (4,6%) e outros usos (4,4%).

 Destaque para os percentuais de lavouras permanentes e florestas plantadas, que equivalem a mais que o dobro do percentual ocupado por essas atividades no Brasil, em virtude das plantações de café, frutas e eucalipto no estado. “Nossa diversidade produtiva e participação na produção de produtos foi confirmada no indicador utilização da terra. Com os dados finalizados, teremos a identificação regionalizada e mais precisa”.

 

Agrotóxicos

O número de estabelecimentos que relataram que utilizam agrotóxicos em Minas Gerais aumentou 60%, número bem superior ao do Brasil (20%). “Entende-se que o produtor pode estar mais informado sobre o uso de defensivos agrícolas em Minas Gerais e, a partir da definição do seu sistema de produção e necessidade de uso, conforme o Censo, 30% dos estabelecimentos/produtores pesquisados informaram que fizeram o uso”, falou a coordenadora.

No país, em 64% dos estabelecimentos os produtores informaram que não utilizam agrotóxico. Em Minas este número sobe para 70%. “Ainda que haja uma tendência para produção sem a utilização de defensivos, ainda precisamos avançar numa melhor assistência técnica e produtos autorizados e mais eficientes. Especificamente para ampliar o conhecimento do produtor”. O Sistema FAEMG, por meio do SENAR, oferece cursos de capacitação sobre o uso de agrotóxicos, manejo integrado de pragas e doenças (MIP&D) e também sobre sistemas de produção orgânica. “O número de capacitações cresceu entre 2006 e 2017, assim como as especificidades dos cursos, possibilitando mais conhecimento ao produtor e dando a ele a possibilidade de escolher seu sistema de produção”.

 

Internet

A alta no número de estabelecimentos com acesso à internet foi de 1790% no Brasil e de 2114% em Minas Gerais. Enquanto em Minas Gerais 33% dos estabelecimentos declararam ter acesso à internet, no Brasil esse percentual é 28%. “No período houve a expansão das redes de infraestrutura, possibilitando que mais produtores tivessem acesso à internet. Ainda assim há deficiência especialmente por conta da condição topográfica em Minas Gerais e os equipamentos são caros para instalação na propriedade. Assim, o produtor pode ter tido acesso fora de sua propriedade”.

 

Ocupação e mecanização

O Censo atestou 1,82 milhão de pessoas ocupadas nos estabelecimentos do estado. Acompanhando a tendência nacional, porém com menor intensidade, houve queda de 3,8% ou 71 mil pessoas em relação ao último levantamento. Pelos dados, verifica-se que a gestão dos estabelecimentos é familiar, com as pessoas ocupadas tendo parentesco com o produtor. “Assim, ações de gestão rural e sucessão familiar são justificadas e importantes, como as ações já empreendidas pelo Sistema FAEMG, dente outras instituições”.

 

Escolaridade

O nível dos produtores mineiros mostrou-se mais elevado que a média nacional. No estado, o percentual com nível superior ou mais é de 8,54% e, no Brasil, 5,84%. Já o percentual daqueles produtores que nunca frequentaram escola é de 10,56% no estado e 15,44% no país. “Com as informações de escolaridade, mecanização e uso de tratores, dentre outros itens que envolvem tecnologia, pode-se dizer que os produtores mineiros estão mais orientados/propensos a investir e aumentar sua eficiência produtiva”.

 

Mulheres 

A participação das mulheres na direção dos estabelecimentos no estado aumentou de 10,8% em 2006 para 14,4% em 2017. “A alta pode ser justificada pela maior inserção da mulher também na agropecuária, através de capacitação, por assumir propriedades em função da perda do cônjuge, herança ou investimento nas atividades. Pelas experiências que acompanhamos, percebe-se uma maior participação das mulheres na gestão produtiva e econômica”.

 

Idade

A faixa etária dos produtores rurais apresentou acréscimo tanto no Brasil quanto em Minas Gerais. Em 2006, os produtores com mais de 45 anos representavam 67% do total em Minas Gerais e 60% no Brasil. Em 2017, esse número passou para 76% em Minas Gerais e 70% no Brasil. “Como nos indicadores demográficos do país, o campo também está envelhecendo. É necessário investir cada vez mais em políticas públicas e ações para melhorar a condição na área rural e também de encarar a propriedade como empresa, fomentando que no futuro, os mais jovens permaneçam ou regressem para as propriedades”, disse a Aline.

 

Área Irrigada

Essa área mais que dobrou em relação ao último censo (aumento de 116%), acréscimo bem superior à média nacional (52%). Enquanto representa 3% do total dos estabelecimentos no estado, a área irrigada no Brasil é de 2%. “A Irrigação é uma alternativa que reduz a dependência das chuvas, permitindo a manutenção das lavouras e favorecendo o aumento da produtividade”, disse a coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente da FAEMG, Ana Paula Mello.

(Fonte FAEMG)

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