Publicado em 19/06/2017 às 09h24

Joesley se contradiz sobre Temer

Delator disse em depoimento conhecer o presidente há cinco anos e, à “Época”, desde 2009

345

Temer quer demonstrar normalidade ao manter a viagem ao exterior, mesmo com a crise da JBS

O empresário Joesley Batista, da JBS, caiu em contradição em pelo menos dois pontos na comparação entre a entrevista concedida à revista “Época” e o depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR) no acordo de delação premiada.

Ele indicou uma data diferente sobre seu primeiro contato com o presidente Michel Temer e deu uma nova versão sobre os encontros iniciais com o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).
Em entrevista concedida à “Época” neste final de semana, Joesley afirmou: “Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi (PMDB), em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta”.

A data é diferente da que ele forneceu no depoimento prestado à PGR como parte do acordo de delação premiada, em vídeo gravado no dia 7 de abril passado.

Na ocasião, Joesley declarou que só conheceu Temer depois da eleição do peemedebista como vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. O executivo inicialmente disse que conhecia Temer já fazia “cinco, seis anos”, mas foi interrompido por um procurador. Em seguida, diz: “Michel Temer conheci há cinco, seis anos atrás, ele já como vice-presidente. Quem me apresentou foi o ex-ministro Wagner Rossi, nomeado por ele”.

Temer tomou posse no cargo em 1º janeiro de 2011, portanto depois de “2009, 2010”.

Em uma segunda contradição, Joesley alterou a ordem dos acontecimentos na sua relação com Rodrigo Loures – que está preso em Brasília após ter recebido uma mala com R$ 500 mil da JBS. No depoimento, Joesley afirmou ter sido dele a iniciativa de procurar Loures para estabelecê-lo como um interlocutor no Planalto.

Disse que tomou essa decisão após denúncias atingirem seu contato frequente, o então ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

“Quando ele (Geddel)passou a ser investigado, eu, como investigado também, não pude mais falar com o Geddel, pela proibição da Justiça. Foi onde eu procurei o Rodrigo Rocha Loures. (...) Quando eu liguei para ele(Loures), ele ainda estava no Palácio. Era assessor da Presidência. Eu liguei: ‘Rodrigo, eu precisava falar com o presidente Michel’”. Segundo Joesley, Loures ligou a fim de combinar um café no hotel Fasano, em São Paulo.

Na entrevista à revista, Joesley inverteu a ordem dos acontecimentos e omitiu a história de seu telefonema a Loures e o café no hotel. Ele alegou à revista que conhecia Loures “apenas de vista”, e que é que trouxe o nome do seu ex-assessor.

A reportagem não obteve posicionamento da assessoria da JBS até a publicação deste texto.

Imagem. Para tentar mostrar que o governo não ficou paralisado com a entrevista de Joesley Batista à “Época”, o presidente Michel Temer resolveu manter a viagem à Noruega e à Russia nesta segunda-feira (18).

Recesso

Data. A votação do projeto Lei de Diretrizes Orçamentária de 2018 ficará para o mês de agosto. O cronograma, proposto pelo relator, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), prevê a apresentação de seu relatório no dia 8 de agosto, com previsão de votação na comissão no dia 15 do mesmo mês.

Consequência. A data inviabiliza o recesso entre os dias 18 e 31 de julho.

Alívio. Se o recesso não acontecer, a Câmara pode apreciar rapidamente a denúncia que a Procuradoria Geral da República deve apresentar contra o presidente Michel Temer. 

(Fonte O TEMPO)

Tópicos

veja também


Publicidade

Últimas Notícias