Publicado em 10/03/2017 às 12h30

No 1º dia de saque de inativos, agências da Caixa estão lotadas em todo o país

De acordo com a Caixa Econômica Federal, até 8h, quando as agências foram abertas, 200 mil pessoas em todo o país já haviam sacado o recurso pelo autoatendimento

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Mal teve início o saque das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), na manhã desta sexta-feira (10), e as agências da Caixa Econômica Federal já registram filas enormes em todo o país. As portas foram abertas às 8h e imediatamente depois centenas de pessoas que fazem aniversário em janeiro e fevereiro já lotavam os locais. Segundo a assessoria de imprensa da Caixa, até 8h, antes mesmo da abertura das portas, 200 mil brasileiros já haviam sacado o valor por meio do autoatendimento. 

Logo após a abertura das portas, as agências já estavam tomadas de pessoas que, em sua grande maioria, pretendem pagar dívidas com o valor. É o caso de Délcio Francisco Santos, um encarregado de armação de serragem de 54 anos. "Esperava receber entre R$ 2.500 e R$ 3 mil, mas o valor foi acima dos R$ 4 mil, o que me surpreendeu. Foi a melhor coisa que o governo já fez. Estava devendo mais de R$ 3 mil e poderei quitar. Vai ser bom para o brasileiro, vai aquecer a economia", afirmou. 

O motorista Modesto Ribeiro Duarte, de 30 anos, sacou um valor bem menor de sua conta inativa - cerca de R$ 500 -, mas também aproveitará para pagar as contas. "Estava com o IPVA e o cartão de crédito em atraso. Vai ser suficiente para aliviar", disse. 

A babá Débora Rodrigues, 31 anos, é moradora de Ribeirão das Neves, na região metropolitana, mas trabalha em BH. Ela fez o cartão e a senha, e olhou na internet com antecedência, mas não conseguiu saber exatamente o valor que poderia sacar. "Tenho cerca de R$ 2 mil, e ele já está no terminal. Vou juntar para trocar de carro até o fim deste ano. O dinheiro veio em boa hora, não esperava isso", concluiu. 

A previsão é que, nessa primeira rodada, 4,8 milhões de pessoas saquem quase R$ 7 bilhões. O pagamento começa nesta sexta-feira e vai até 31 de julho. Os recursos que não forem sacados até essa data voltarão para o FGTS e o resgate voltará a ser submetido às regras convencionais, como em casos de demissão sem justa causa, aposentadoria, financiamento imobiliário, três anos sem trabalho formal ou doença grave, por exemplo.

Beneficiados e valores

30 milhões de trabalhadores têm contas inativas de FGTS.
R$ 43,6 bi é o saldo de todas as contas inativas somadas.
4,8 milhões nascidos em janeiro e fevereiro já podem sacar.
R$ 7 bi é o saldo nas contas que já estão com saque liberado.

Empresas em dívida

Apesar do direito ao saque dos valores, nem todo mundo conseguirá o benefício. Segundo a Procuradoria Geral Nacional da Fazenda (PGNF), cerca de 7 milhões de trabalhadores não receberam o benefício na conta, porque 198,7 mil empresas não fizeram os depósitos em dia. Somados, os débitos inscritos na dívida ativa são de R$ 24,5 bilhões, sendo R$ 1,32 bilhão em Minas Gerais, onde estão cerca de 10% dessas empresas devedoras.

Para quem não tem saldo de FGTS porque a empresa não depositou, o caminho será a Justiça. O diretor da Associação Mineira dos Advogados Trabalhistas (Amat), Antonio Queiroz, explica que os trabalhadores lesados têm até dois anos após o encerramento do contrato de trabalho para propor uma ação trabalhista. “Ele pode procurar a empresa primeiro. Caso não consiga sucesso, pode recorrer a um advogado ou então procurar um setor de atermação e protocolar a ação”, afirma.

O advogado alerta que é muito importante denunciar a empresa devedora ao Ministério do Trabalho, que irá atrás para obrigar o empregador a regularizar os débitos. “Sabemos que existem milhões de ações em andamento e a justiça está assoberbada de trabalho, por isso é importante denunciar ao Ministério do Trabalho. E isso pode ser feito de forma sigilosa”, destaca.

O advogado lembra que essas ações só permitem cobranças retroativas a cinco anos. “A pessoa tem dois anos para entrar na Justiça e receberá créditos de até no máximo cinco anos”, ressalta.
A Caixa afirma que não pode fazer nada nos casos em que o empregador não efetuou os depósitos e, portanto, quem se enquadrar nesses casos não conseguirá sacar, devendo procurar a empresa ou a Justiça para resolver a situação.

(Fonte EM TEMPO)

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