Publicado em 02/01/2017 às 10h18

Posse desorganizada

Em Nanuque, a Câmara sem presidência, esteve sob o controle de um “Leão de Chácara” que simplesmente decretou que jornalista não entraria nas dependências da Casa.

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A posse de Roberto de Jesus foi sem dúvida algo inesquecível e que merece registro nos anais históricos da cidade de Nanuque. O evento nos fez lembrar dos tempos da baioneta, onde a força e a vontade do poder constituído se faziam presentes, através da censura e do calaboca, imposto por ditadores sanguinários que o Brasil tanto deseja esquecer e que motivou, por exemplo, um dos maiores jornais do País – O Estado de São Paulo -, a publicar receitas culinárias nos cadernos de política.

Especificamente no caso de Nanuque, inúmeros jornalistas da cidade e região, ávidos pela necessidade de informar, foram impedidos de executar seu trabalho durante o evento de posse. Que pena que isso tenha acontecido! A desorganização do evento foi algo difícil de entender. Como repórter, trago a experiência de ter feito coberturasdas posses de Marta Suplicy (2001), José Serra (2005), Gilberto Kassab (2009) e Fernando Haddad (2013), todos como prefeitos de São Paulo e em momento algum, nós jornalistas, sentimos a presença da truculência e do impedimentoà imprensa no acesso às dependências da Câmara Municipal daquela cidade. Lá, jornalista trabalha com livre acesso e executa suatarefa na busca pelo melhor foco e pelo melhor entrevistado, para produzir a melhor notícia para seu órgão de imprensa.

Em Nanuque, a Câmara sem presidência, esteve sob o controle de um “Leão de Chácara” que simplesmente decretou que jornalista não entraria nas dependências da Casa. Inibindo, portanto, o trabalho daqueles, cujo ofício é o de informar. Que pena! A imprensa escrita de Nanuque não registrarápara a história, a posse de Roberto de Jesus, simplesmente porque um truculento qualquer, sem o menor traquejo e entendimento do papel que representa a informação, ter sido colocado no controle da portaria.

Nas cidades de Serra dos Aimorés e Carlos Chagas, por exemplo, o procedimento foi diferenciado. Nessas cidades,jornalista trabalhou com liberdade na busca pela melhor matéria. Talvez esteja aí os motivos que levam Nanuque a ser uma cidade tão carente de tudo. Parece já estar encrustado na cultura de quem chega ao poder, o achar que manda e o achar que deve ter suas vontades respeitadas.Vontades essas muitas vezes mesquinhas, ditatoriais e sem propósito. Esse sentimento parece ter tomado conta do nosso “Leão de Chácara” que, por entender que a casa não dispunha de presidência, ele, por certo, é quem mandaria e deveria impor suas deliberações, mas a coisa não é bem assim. É como diria minha avó: Tem gente que não pode mesmo subir em tijolo que já quer fazer discurso. Contudo, é preciso entender o papel da imprensa. Afinal, como vivemos numa democracia, cuja liberdade de expressão é regimentada por lei, deparar com fatos dessa natureza é algo que não se pode aceitar.

A edição do jornal impresso, como já disse, sairá sem as notícias das posses dos vereadores e do prefeito de Nanuque, exatamente por ter estado no controle da Câmara, um elemento altamente despreparado e que se acha no direito de impor suas vontades, infelizmente!

Com a palavra a nova presidência da Mesa Diretora que nem sabemos quem é, porque não estávamos lá para acompanhar a eleição.

(Salvador Lima é jornalista. MTB 35.366)

(Fonte Salvador Lima)

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