Publicado em 02/01/2019 às 14h23

Prometendo pacto nacional, Jair Bolsonaro toma posse como presidente da República

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Bolsonaro faz o discurso de posse no Plenário da Câmara dos Deputados, depois de ter sido declarado presidente da República. Foto: J. Batista/Câmara dos Deputados

Na tarde de terça-feira (1º), a posse de Bolsonaro teve o desfile tradicional em carro aberto, o juramento no Congresso e um discurso em que prometeu um pacto nacional e a construção de uma sociedade sem discriminação.

Desde o início da manhã, o público homenageava Jair Bolsonaro na entrada da residência do Torto, onde ele e a família passaram o Réveillon.

Às 14h23, Bolsonaro e a esposa Michelle saíram em comboio para a Catedral de Brasília, ponto de partida do cortejo presidencial. Na chegada, o casal cumprimentou o padre João Firmino, que parabenizou o presidente e fez uma breve oração. Dali, Bolsonaro subiu no Rolls-Royce acompanhado de Michelle e do filho, Carlos.

No trajeto na Esplanada dos Ministérios, quase um acidente: um dos cavalos dos dragões da independência refugou. Passado o susto, Bolsonaro seguiu acenando para a multidão. Ao fim do percurso de um 1,5 quilômetro, ele foi recebido no Congresso Nacional pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira. Aos três, se juntaram o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Depois de sete mandatos consecutivos na Câmara, 28 anos como deputado federal, Jair Bolsonaro voltou a fazer o caminho em direção ao plenário. Dessa vez, para tomar posse como o 38º presidente do Brasil.

Foi recebido com festa e celulares às mãos. Entre os chefes de Estado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanuahy, e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Bolsonaro leu o compromisso constitucional.

“Prometo manter, defender e cumprir a Constituição”, disse em discurso.

Em seguida, foi a vez do vice-presidente, Hamilton Mourão. O senador Eunício Oliveira declarou os dois empossados.

Às 15h10, Jair Bolsonaro tomou posse oficialmente como o 5º presidente da República eleito de forma direta depois da redemocratização. Mostrou bom humor ao concluir o último ato formal, a assinatura do termo de posse.

Antes de falar aos convidados, mais uma brincadeira: “é curtinho”.

Em quase dez minutos de discurso, Bolsonaro primeiro agradeceu: “Primeiro quero agradecer a Deus por estar vivo. Que pelas mãos de profissionais da Santa Casa de Juiz de Fora operaram um verdadeiro milagre”.

Depois pediu apoio aos parlamentares: “Convoco, cada um dos congressistas, para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando-a, definitivamente, do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”.

Bolsonaro falou em união e respeito: “Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas”.

O presidente lembrou o atentado que sofreu e o apoio que recebeu durante a campanha: “Quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui”.

Jair Bolsonaro prometeu lutar contra a discriminação e unir o país: “Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão. Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros: que querem boas escolas, capazes de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política; que sonham com a liberdade de ir e vir, sem serem vitimados pelo crime; que desejam conquistar, pelo mérito, bons empregos e sustentar com dignidade suas famílias; que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico, em respeito aos direitos e garantias fundamentais da nossa Constituição”.

Ele voltou a defender a ampliação da posse de armas e proteção a polícia: “O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender, respeitando o referendo de 2005, quando optou, nas urnas, pelo direito à legítima defesa. Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança e da segurança dos nossos familiares. Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar o respaldo jurídico aos policiais para realizarem seu trabalho”.

Bolsonaro destacou que montou uma equipe de governo sem ceder a conchavos políticos: “Montamos nossa equipe de forma técnica, sem o tradicional viés político que tornou o Estado ineficiente e corrupto. Vamos valorizar o parlamento, resgatando a legitimidade e a credibilidade do Congresso Nacional”.

O novo presidente propôs um pacto nacional para enfrentar os desafios econômicos: “Na economia traremos a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência. Confiança no cumprimento de que o governo não gastará mais do que arrecada e na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitados. Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil”.

Jair Bolsonaro disse que defender a democracia é prioridade: “A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que se mostram nefastas para todos nós, maculando a classe política e atrasando o progresso. A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica de nossa história. Hoje começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história. Um capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. A política externa retomará seu papel na defesa da soberania, na construção da grandeza e no fomento ao desenvolvimento do Brasil”.

E finalizou com um jargão de campanha: “Muito obrigado a todos vocês. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Em seguida, como presidente do Congresso, Eunício Oliveira, destacou que Bolsonaro precisa trabalhar em harmonia com o Legislativo e o Judiciário. “Isso porque quando as regras vigentes não permitem que se faça o que o senhor eventualmente pretenda, será necessária alteração legislativa pelo Congresso Nacional. Com o controle de constitucionalidade do Supremo e a permanente fiscalização do Ministério Público”, disse Eunício.

Ao deixar o Congresso, foi homenageado com salvas de 21 tiros de canhão, passou em revista à tropa e seguiu para o Palácio do Planalto.
(Fonte G1)

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