Publicado em 14/04/2017 às 10h42

Propina teria sido de R$ 5,2 mi

Benedicto Junior, ex-diretor da Odebrecht, relatou pagamento em obra mineira

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Obra. Inaugurada em 2010, Cidade Administrativa, símbolo da gestão Aécio, custou R$ 2,1 bilhões

A Odebrecht diz ter pago R$ 5,2 milhões a um homem de confiança de Aécio Neves (PSDB-MG) entre 2007 e 2009, como pagamento pela sua participação na construção da nova sede do governo mineiro. A empreiteira disse entender que a propina iria para campanhas futuras do então governador tucano.

Ex-executivos da empreiteira disseram ainda que valores pedidos pelo senador à empresa e não contabilizados oficialmente foram entregues em dinheiro vivo em concessionárias de máquinas e até em apartamento de assessor parlamentar. Os delatores também afirmaram que parte dos valores destinados ao PSDB foi transferida a uma agência de publicidade de um marqueteiro de campanhas tucanas, que simulou a prestação de serviços para a Odebrecht.

A informação sobre os R$ 5,2 milhões está na delação de Benedicto Junior, o BJ, ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht. BJ depôs e disse que recebeu pessoalmente de Aécio a instrução de procurar Oswaldo Borges da Costa Filho, então presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), para discutir a divisão de trabalho da obra.

O senador nega o relato do ex-executivo e afirma nunca ter pedido propina para empreiteiras. Ele é alvo de cinco pedidos de inquéritos por parte do ministro Edson Fachin, do Supremo. O caso da Cidade Administrativa é um deles.

Segundo depoimento de BJ, quando Aécio assumiu o governo de Minas pela segunda vez, em 2007, ele o chamou para uma reunião e indicou Oswaldinho, como Costa Filho é conhecido. O ex-executivo enviou um subordinado, o chefe da empreiteira em Minas, Sérgio Neves, para a missão.

Neves também é delator e corroborou a versão. Oswaldinho dividiu o projeto em três partes. O segundo lote caberia à Odebrecht, com participação da Queiroz Galvão e OAS. As outras líderes de lotes eram a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez.

Sérgio Neves relatou a BJ que teria de ser pago 3% de propina que, segundo Oswaldinho teria lhe dito, se direcionaria a campanhas futuras de Aécio. BJ autorizou o pagamento, por “confiar” no interlocutor, que é contraparente de Aécio (casado com a filha do padrasto do político). A Odebrecht disse ter lucrado R$ 90 milhões no negócio, estimado em R$ 360 milhões.

Leia, na íntegra, a nota do senador Aécio Neves sobre o caso:

O delator Marcelo Odebrecht afirmou em depoimento, conforme vídeo publicado hoje, que as doações eleitorais feitas ao senador Aécio Neves não envolveram qualquer tipo de compromisso ou contrapartida. Disse ele sobre contatos mantidos com o senador Aécio: “Nunca teve uma conversa para mim de pedir nada, vinculado a nada”. 

Sobre supostos recursos repassados em pré-campanha, a afirmação feita não procede. No depoimento, o delator diz que doou 5 milhões na pré-campanha e outros R$ 5 milhões durante a campanha. Na verdade, os dois valores foram doados integralmente durante a campanha eleitoral e estão devidamente declarados ao TSE.

Sobre referências a supostos repasses da empresa relativos à área de energia, ainda que os delatores tenham sido unânimes em dizer que não envolveram nenhum tipo de relação ilícita, não se tratando de propina ou contrapartida, informamos que os mesmos não ocorreram.

Registramos que as duas obras (usinas de Santo Antônio e Jirau) foram licitadas pelo governo federal, do PT, não havendo, portanto, nenhuma participação do governo de Minas. Em uma delas, em Jirau, a Cemig foi inclusive derrotada.

Sobre a licitação e obras da Cidade Administrativa, o senador Aécio Neves jamais participou de qualquer ato ilícito. No decorrer das investigações será demonstrada a correção de todos os procedimentos adotados.

O edital das obras foi apresentado previamente ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas e a obra auditada em tempo real por empresa independente, sem que tenha sido apontada qualquer tipo de irregularidade.

Em depoimento também divulgado hoje, Benedito Junior informou que a campanha do senador Aécio em 2014 não aceitou receber recursos no exterior e, por isso, a empresa deixou de realizar doações para a mesma.

Setor elétrico. Em outro pedido de inquérito, Fachin pede para apurar se Aécio recebeu R$ 50 milhões da Odebrecht e da Andrade Gutierrez para defender seus interesses na tramitação da obra das usinas hidrelétricas do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau).

Segundo Marcelo Odebrecht e Henrique Valladares (da área de energia da Odebrecht), em uma reunião em fevereiro de 2008, ambos discutiram com Aécio o setor elétrico.

Na reunião não foi discutida propina, disse Valladares, mas quando ambos saíram, Odebrecht disse que estava acertado que a empresa daria R$ 30 milhões e a Andrade, R$ 20 milhões. Aécio já negou em outras oportunidades tal acerto. Segundo eles, os pagamentos parcelados em R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões foram feitos em contas no exterior. Uma delas, em Cingapura, teria o nome “Accioly” – os investigadores querem saber se há alguma relação com um amigo de Aécio, o empresário Alexandre Accioly.

Leia a íntegra da nota enviada pela assessoria de imprensa do empresário Alexandre Accioly:

"Tenho os seguintes esclarecimentos a prestar diante de referência a meu nome em depoimento de ex-executivo da Odebrecht no âmbito da Operação Lava-Jato:

1. Não sou nem jamais fui titular de recursos de qualquer conta ou estrutura financeira em Cingapura.

2. Nunca recebi depósito em favor de terceiros em conta alguma no Brasil ou no exterior. Minhas declarações de bens comprovam a licitude dos recursos que ingressaram em minhas contas e que são resultado unicamente de minhas atividades empresariais.

3. Meu êxito profissional é fruto de suor e trabalho. Ao longo de minha trajetória, sempre agi com ética e respeito a valores e princípios republicanos. É o que de mais valioso  legarei a meus filhos.

4. Vou ingressar com interpelação judicial e processo criminal contra o ex-executivo da Odebrecht e não descansarei até que tenha obtido a reparação devida."

(Fonte O TEMPO)

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