Publicado em 17/10/2016 às 15h26

Roberto de Jesus fala do futuro governo

“É preciso fazer algo. Tenho meu ponto de vista sobre isso tudo e quero dar minha contribuição para deixar um legado de transformação no destino de nosso povo”

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Eleito prefeito de Nanuque nas últimas eleições com 6992 votos, Roberto de Jesus, busca compor o futuro governo municipal. Nessa composição, ele revelou que pretende aglutinar forças com vistas a transformar a realidade de um município carente com um choque de gestão e que o leve à conquistas jamais sonhadas para que, definitivamente, retome sua posição no cenário mineiro, como cidade polo de desenvolvimento tanto na parte industrial, quanto na parte da qualidade de vida.

Roberto nasceu em Nanuque há 48 anos.Ainda jovem começou a militar nos movimentos sociais e políticos, exatamente pela sua inconformidade com o decréscimo da cidade nos mais diversos setores. “É preciso fazer algo. Tenho meu ponto de vista sobre isso tudo e quero dar minha contribuição para deixar um legado de transformação no destino de nosso povo”, disse ao EM TEMPO.

Numa entrevista exclusiva ao jornal, Roberto de Jesus falou aos jornalistas Salvador Lima e Renato Louzi de como pretende mudar o rumo de Nanuque nos próximos quatro anos.

 

EM TEMPO: O que motivou sua candidatura à prefeito de Nanuque?

ROBERTO DE JESUS: O abandono da cidade e a experiência que temos na área administrativa fizeram com que a gente entendesse que era hora de assumir uma posição e colocar esse conhecimento à serviço do município.

 

EM TEMPO: Uma semana antes das eleições, as pesquisas apontavam sua candidatura brigando pelo segundo lugar. A que se deve essa súbita virada?

 R.J.: Há um equívoco nessa afirmativa. Desde o início de nossa campanha já estávamos no segundo lugar em todas as pesquisas. Nas últimas semanas, vínhamos numa crescente que acabou por firmar nosso nome em primeiro lugar, como de fato aconteceu.

 

EM TEMPO: Quais são os principais problemas a serem resolvidos no início de sua gestão?

 R.J.: O ajuste da máquina pública para que possamos arcar com a folha de pagamento eos encargos previdenciários,são fatores que formam o grande gargalo da governabilidade. Hoje vivemos uma administração que, ao longo de alguns anos, passou do limite de gastos com pessoal. Esse é o primeiro desafio e junto a ele, vem a questão da saúde que precisa de uma resposta mais efetiva, de uma reestruturação para poder funcionar.

"Eu falei sempre em organizar o que já temos e buscar geração de emprego e renda através de pequenos projetos, até por que, eu sou um “catador”, eu acredito nisso"

EM TEMPO: Há quem diga que o município se transformou num cabide de empregos, com pessoas que ganham sem ter uma função específica. Como o senhor pretende lidar com esse problema?

 R.J.: Sempre falei que a maioria dos funcionários são pessoas de bem e que produz. O que não tem é uma referência positiva em nível de gestor. O ajuste ao qual me refiro é saber onde cada um está, o que faz, qual a jornada e qual a real necessidade de sua função. Aquilo que realmente for necessário, enquanto serviço público, vamos dar continuidade. Aqueles que estão lá sem função específica, fruto de campanha eleitoral, nós vamos dar um basta na situação.

 

EM TEMPO: Nanuque já foi, nos anos 60, cidade polo da região. Hoje está entre Teófilo Otoni e Teixeira de Freitas – duas cidades importantes que atraem os mais diversos interesses. O que fazer para resgatar, novamente, o município à sua condição anterior?

 R.J.: Identificar a principal vocação de Nanuque e potencia-la. Toda cidade tem um produto que é sua referência. Eu vou a um lugar qualquer e encontro um produto que eu gosto. Nanuque não tem isso, não tem identidade. Então, nós temos que identificar nossa potencialidade. Qual é o produto que Nanuque tem para poder atrair pessoas? Além disso nós temos que expandira área de serviços tais como Saúde e Educação para que possamos voltar a ter uma referência melhor.

 

EM TEMPO: Quando o senhor fala em abandono, ao que se refere?

 R.J.: Eu tenho dito que Nanuque, nos últimos 30 anos, só vem encolhendo em todos os sentidos. Nossa representação política, nos âmbitos do Estado e da União, está fragilizada.Pulverizou demais o apoio, e do ponto de vista administrativo, muita coisa deixou de ser feito e o que se fez, não teve manutenção.Eu tenho visitado todos os setores e constatei que existe um abandono considerável sob o ponto de vista administrativo e isso eu alertei na campanha. A cidade nos últimos 30 anos não foi planejada, nós perdemos para as outras do entorno, quando antes nós éramos referência. Foi nesse sentido que eu me coloquei com o propósito de retomar, a partir de um amplo diálogo com a sociedade, esse objetivo. Chamar as principais lideranças e buscar um rumo. Todos devemos trabalhar nesse sentido.

"As pessoas precisam saber que o que saiu das urnas foi um projeto de ruptura com o que está aí"

EM TEMPO: O senhor poderia exemplificar alguma coisa que a cidade perdeu e que precisaria ser retomada para alavanca-la rumo a um futuro promissor?

 R.J.: A nossa economia era mais forte, nós gerávamos empregos em razão do que tínhamos. Brasil Holanda, mais recentemente a Alcana e tantas outras empresas que foram fechadas, encerraram suas atividades por falta de uma política fiscal, de benefícios, de incentivos aos que estão aqui e como atração a outros que por ventura quiseram vir para cá. Nosso entorno e eu me refiro ao Sul da Bahia e Norte capixaba, conseguiram fazer isso melhor do que nós, razão pela qual melhoraram. O Estado precisa estar mais presente.Vou pedir um olhar fiscal para nossa região e isso trará melhorias àqueles que estão aqui e também aos que pretendem vir.

 

EM TEMPO: A grave crise econômica não é privilégio de Nanuque, mas do País como um todo. Como é que o senhor pretende driblar essa situação e trazer para a cidade algo que possa oferecer um futuro melhor?

R.J.: Eu entendo que a criatividade pode superar muito a crise que estamos vivendo há anos. Tenho buscado parcerias com o Sebrae, vou estar com o presidente do IDENE – Instituto de Desenvolvimento do Norte do Estado para levar nossos anseios. Eu tenho conversado muito no sentido de que nós,enquanto prefeitura, devemos proteger nossos empreendedores, proteger o comércio, estabelecer uma parceria e de que forma nós podemos fazer isso? Costumo dizer que se não cuidarmos de quem está aqui, quem está lá fora não virá para cá. Creio que é com muita criatividade que buscaremos projetos para gerar emprego e renda, mas primeiro, temos que fortalecer quem está aqui.

 

EM TEMPO: Na mensagem de campanha o senhor deixou claro que buscará novas empresas para absorver a mão de obra ociosa da cidade. Já houve algum contato com grupos empresariais nesse sentido?

R.J.: Nós estamos fazendo contatos com algumas empresas, estamos agendando reuniões para colocar em discussão o nosso potencial. O que vai contribuir com essa conversa é exatamente o retorno que a gente espera do próprio Estado, do nosso esforço junto ao governador, deputados e secretários. Ou seja, clarear efetivamente o que o Estado de Minas Gerais oferece a quem quiser investir em Nanuque.

 

EM TEMPO: Nanuque é um município de cultura pecuarista cuja matéria prima é absorvida pelo FRISA. Há também o plantio de eucaliptos onde a produção é industrializada no Extremo Sul da Bahia. O que o senhor imagina, como matéria prima, que possa atrair novos segmentos industriais?

R.J.: Eu tenho dito que podemos potencializar o couro que nós temos aqui. Ao invés de pegar esse produto e levar para outro lugar, pode-se muito bem atrair parceiros que industrialize essa matéria prima, fato que geraria empregos e divisas para o município. Essa é uma das alternativas. Outra opção é investir em projetos que possam gerar emprego e renda.

O MEI – Micro Empreendedor Individual, os médios e pequenos produtores,a agricultura familiar, que em nossa região precisa funcionar através de uma política de orientação.São segmentos que necessitam de apoio constante. Próximo à Nanuque tem uma agricultura familiar que funciona, há escolas que se valem dessa agricultura familiar. Eu fui à zona rural e vi o pequeno e o médio produtor que vivem do leite,entretanto, o gado morre, motivado pela seca e isso acaba com sua renda. Você nunca viu, nos últimos 10 anos, um ato da Prefeitura onde ela chegou e disse ao pequeno produtor: Produza batata, mandioca e leite que eu vou comprar através dos recursos da merenda escolar. Então o produtor não tem uma atividade orientada, destinada a um determinado fim e que propicie renda à sua produção.

 

EM TEMPO: Em seu discurso, após as apurações, o senhor disse que vai convidar cabeças pensantes, das mais diversas forças políticas, para integrar seu governo. Como fazer isso sem ferir interesses de correligionários?

R.J.: As pessoas precisam saber que o que saiu das urnas foi um projeto de ruptura com o que está aí. O que vai mudar é a postura, a prioridade de governo. Nós temos um projeto que defende a moralização do serviço público, o funcionamento dele, o respeito à coisa pública, às pessoas e a defesa do diálogo permanente. Agora, como prioridade, temos que olhar para os mais carentes. Você vai na periferia e vê que ela está abandonada, se vai na zona rural vê que o pequeno, médio e até o grande produtor não têm suporte algum, não há parceria por aqui. Então é preciso dizer que ao longo dos últimos 10, 12 anos não foi feito essa aproximação entre poder público e a classe produtora.

 

EM TEMPO: A economia de Nanuque gira em torno da pecuária. Trazer novas indústrias requer a necessidade de uma diversificação substantiva e muitas vezes, as dificuldades referentes ao abastecimento envolvendo matérias primas podem inibir interesses de investidores. Que discurso o senhor tem para convencer outros segmentos a investir numa terra de cultura pecuarista?

R.J.: Nós já temos uma diversidade aqui. Nós temos gado, cana e eucalipto. Nós temos uma cidade com boa estrutura, com potencial de desenvolver serviços, temos duas rodovias que nos interliga ao país inteiro, somos divisa de estados, ou seja, vamos oferecer essas vantagens que a cidade têm. Oferta de energia abundante – quem quiser vir para Nanuquenão terá problema com a questão energética. Nós vivemos uma crise hídrica, mas nós temoso rio Mucuri que é pouco explorado. Então são atrativos capazes de atrair investidores.Além do mais, queremos implantar uma política fiscal que venha seduzir empreendedores para nossa cidade e isso, eu vou cobrar do Estado.

 

EM TEMPO: A cidade forma, todos os anos, inúmeros alunos em suas faculdades. Que tipo de preocupação o senhor tem, no sentido de absorver a mão de obra que essa gama de formandos oferece para um mercado sem oportunidade?

R.J.:Parte desses formandos eu tive o privilégio de ser professor. Dei aula, por nove anos, nas duas faculdades. Conheço bem essa situação. Muitas vezes a pessoa permanece aqui por amor àNanuque e não quer deixar a família. Eu falo o tempo todo que vamos organizar a cidade, vamos fazer uma atração de investimentos aqui. Eu espero, com o que vamos oferecer, uma organização de cidade, com uma postura administrativa positiva e que seja capaz de atrair alguma coisa para mudar a situação. Eu bato sempre na tecla que aqui não se vendeu a ilusão detrazer a grande indústria e a grande fábrica para cá. Eu falei sempre em organizar o que já temos e buscar geração de emprego e renda através de pequenos projetos, até por que, eu sou um “catador”, eu acredito nisso.

 

EM TEMPO: Nanuque não tem um projeto sequer de desenvolvimento nos gabinetes de Belo Horizonte e Brasília, fruto do desinteresse de prefeitos que preferiram varrer ruas e construir chafarizes pela cidade. O senhor já tem como mudar essa realidade?

R.J.: Nós temos as demandas da cidade, gargalos que impedem o crescimento que é uma satisfação buscada pelas pessoas. Outro ponto é o abandono da cidade, nós vamos fazer um planejamento e vamos colocar esses projetos em Brasília e Belo Horizonte. Vamos pensar a cidade não só para os quatro anos que temos, mas vamos discutir com a comunidade qualo futuroque queremos para os próximos 10, 15 ou 20 anos. Envolver a comunidade nisso.

 

EM TEMPO: Usuários do sistema de saúde municipal declaram que não têm remédios na farmácia da prefeitura e também no Pronto Socorro Municipal. Segundo essas pessoas, o caos predomina na saúde da cidade. Em quanto tempo o senhor normalizará o abastecimento, pondo fim a essa situação?

R.J.: Eunão tenho os números reais da Prefeitura porque a transição ainda não começou. Acredito que através de algumas medidas que vamos adotar, o setor de Saúde será beneficiado. Por exemplo, a atenção básica, através do Programa de Saúde da Família, não vem funcionando como deveria.Nós pretendemos enfrentar essa questão.Aquilo que é devido ao Município nós vamos cobrar. Um exemplo é a carga horária dos médicos que são pagos para trabalhar oito horas e algunsnão vêm fazendo isso. O Ministério Público durante esta gestão e de outrasjá recomendou o cumprimento sob pena de propor uma ação contra o prefeito e contra os médicos e isso vem sendo relevado. No nosso governo isso não acontecerá. Vamos oportunizar as pessoas de se adequarem, mas aquilo que é de direito nós vamos cobrar. Nós vamos cobraro cumprimento da carga horária para que efetivamente o PSF (Programa de Saúde da Família) funcione, desafogando grande parte do Pronto Socorro. Enquanto o cidadão não encontrar o PSF funcionando, naturalmente ele vai para o Pronto Socorro.

 

EM TEMPO: A fase de transição já está em andamento?

R.J.: Na verdade não, embora já tenhamos manifestado o interesse de iniciar essa etapa. Estamos montando nossa equipee sugerindo ao prefeito a data de 7 de novembro para que as equipes possam começar o trabalho.

 

EM TEMPO: Outro ponto diz respeito à limpeza urbana. O caminhão que faz a coleta de lixo passa regularmente nos dias e horários estabelecidos. Contudo, apesar das leis municipais proibirem o morador de jogar lixo nas ruas, ele continua desrespeitando-as e tornando suja a cidade. A falta de colaboração da parte da população é evidente. O senhor pretende intensificar a fiscalização ou até mesmo direcionar uma campanha educativa?

R.J.: Com relação a limpeza urbana, vemos que há entulhos pela cidade. O cidadão resolve limpar o quintal ou podar uma árvore e acaba jogando tudo na frente de casa. Pensando nisso, vamos fazer uma campanha educativa, conversar com a população e esperar que ela entenda a situação em que a cidade vive e que isso é responsabilidade dela, a população. Obviamente que a Prefeitura dispõe dos instrumentos educativos e instrumentos punitivos. Não vamos abrir mão daquilo que é de direito da população de um modo geral em função desse ou daquele segmento que porventura insiste em transgredir a lei.

 

EM TEMPO: Em outras cidades onde a coleta funciona, o morador coloca o lixo um pouco antes do caminhão passar. Há casos em Nanuque em que o lixo é jogado na rua, mesmo depois da equipe de coleta ter passado. Fato que gera muita sujeira no perímetro urbano da cidade. Volto a insistir na pergunta. O senhor pretende intensificar a fiscalização nesse quesito?

R.J.: Vou intensificar a fiscalização, mas juntamente com ela, também fazer um trabalho educativo, estimular o cidadão a rever sua postura no sentido de não ser preciso que a prefeitura haja de forma punitiva que é aplicar a multa.

 

EM TEMPO: Como o senhor pensa a cidade de Nanuque daqui a quatro anos?

R.J.: Eu penso numa cidade mais organizada e planejada com investimentos importantes capazes de proporcionar uma melhor qualidade de vida e quem for trabalhar no serviço público, possa fazer com que Nanuque volte a ser uma referência positiva na região.

 

POR: SALVADOR LIMA – MTB 35.366

 

(Fonte EM TEMPO)

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