Publicado em 22/11/2019 às 14h35

SOLON ESCLARECE TUDO A POPULAÇÃO

Foi nesse clima tenso, provocado pelos acontecimentos, que o jornalista Salvador Lima esteve na Câmara Municipal para entrevistar o presidente

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O vereador Solon Ferreira da Rocha Filho (MDB) é um membro da tropa de choque que faz duras críticas ao serviço que a Copasa executa no município de Nanuque. Para ele, a empresa nunca apresentou um serviço eficiente. Pratica altas tarifas, não recolhe impostos municipais e não cumpre clausulas contratuais que motivaram a suspensão do contrato, assinado em 2004, pela justiça brasileira. No “day after” da votação dos projetos de leis 002/2019 e 063/2019 para regulamentar o saneamento básico de Nanuque, Executivo e Legislativo iniciaram uma intensa troca de farpas com acusações onde um atribui ao outro, a responsabilidade pela rejeição da proposta do oficial, que supostamente prolongará a agonia do servidor público que permanecerá sem receber os salários em dia.

Foi nesse clima tenso, provocado pelos acontecimentos, que o jornalista Salvador Lima esteve na Câmara Municipal para entrevistar o presidente:

EMTEMPO: Os projetos 002/2019 e 063/2019 foram rejeitados pela maioria dos vereadores. Quais foram os motivos que levaram a este resultado e quais serão as consequências?

SOLON: Olha, o texto é fragilizado em diversos pontos. Somente para se ter ideia, o Governo Federal investe R$ 16 milhões na construção de rede de esgoto, através da FUNASA e a prefeitura quer disponibilizar a estrutura para uso da Copasa com uma contrapartida de R$ 10 milhões por parte da concessionária. Isso é um absurdo. Estivemos em Governador Valadares e perguntei ao presidente do SAAE quanto valia a infraestrutura do saneamento básico de lá, sabe o que ele me respondeu? Cerca de R$ 1,2 bilhão. Fiz o cálculo nas devidas proporções para Nanuque, levando em conta o número de habitantes das duas cidades e cheguei à conclusão de que o nosso sistema vale algo em torno de R$ 120 milhões. Por que vamos entrega-lo por R$ 10 milhões? É muita falta de competência para negociar valores.

EMTEMPO: Mas os projetos não viabilizam soluções imediatas para o saneamento?

SOLON: Não. Os projetos são piores do que aquele aprovado em 2004 e que acabou sendo cancelado na justiça. O texto proposto só favorece a concessionária e o contribuinte foi esquecido e, portanto, será prejudicado.

EMTEMPO: O momento está tenso por conta do atraso na folha de pagamento de funcionários da prefeitura. A suposta aprovação do projeto gerou uma expectativa de solução para o caso...

SOLON: O servidor público pode esquecer isso. Vou dizer uma coisa. A folha de pagamento gira em torno de R$ 3 milhões. A prefeitura deve quatro meses. Se multiplicarmos chegará a R$ 12 milhões e ainda temos de pagar parte do 13º de 2017 e 13º de 2018 e 2019. Precisaríamos de R$ 20 milhões para resolver o impasse com o servidor. Agora, o Projeto de Lei 063/2019 prevê um valor de R$ 5 milhões, dos R$ 10 milhões que a prefeitura receberia da Copasa, para o pagamento dos funcionários. Como isso é possível? E olha que não falei dos consignados que poderiam leva-lo à cassação. O prefeito Roberto de Jesus mente pra todo mundo. Ele não vai colocar em ordem porque é inábil para negociar. Ele brinca com o servidor e joga a culpa na Câmara. Quando se trata de saneamento básico, a Câmara tem que pensar nos 43 mil nanuquenses e não no servidor que não recebe pela irresponsabilidade e falta de competência do prefeito municipal.

EMTEMPO: Mas então como ficará a questão do servidor?

SOLON: Minha responsabilidade é gestar a Câmara Municipal. Prefeitura é com o prefeito e é ele quem tem de resolver. Veja que Roberto de Jesus fica plantando notícias falsas na cabeça do servidor e do povo de Nanuque. Isso é desumano. Isso é coisa de comunista que não tem alma e coração. Você quer ver quem é Roberto de Jesus como prefeito? Vou te dizer! Em 2018 os vereadores injetaram cerca de R$ 5 milhões, através de emendas parlamentares de deputados estaduais e federais na cidade. Nunca, absolutamente nunca ele reconheceu ou até mesmo dirigiu um agradecimento aos vereadores por isso. Todas as secretarias municipais foram beneficiadas com essas emendas que ajudaram muito na gestão, mas o prefeito não abriu a boca para dizer um muito obrigado a nenhum vereador. Nanuque poderia estar muito pior se não fosse o dinheiro dessas emendas.

EMTEMPO: As notícias dão conta de que as cidades do Vale do Mucuri estão em dia com suas contabilidades. No entendimento do senhor, por que Nanuque está nessa situação tão desesperadora com suas contas em atraso?

SOLON: Vou exemplificar. Para se construir alguma coisa, outras terão que ser destruídas. Por exemplo, para se fabricar uma folha de papel, é preciso destruir uma árvore. No nosso caso, Roberto destruiu Nanuque pensando em construir uma cidade e qual é o resultado que estamos testemunhando? O cidadão de Nanuque sabe muito bem! Acho que ele já percebeu sua incompetência e tenta justificar seu insucesso, culpando outras pessoas, no caso a Câmara Municipal. Está na hora de fazer o “mea culpa” e pedir perdão aos eleitores pela sua inabilidade para a função.

EMTEMPO: Qual seria a solução para Nanuque?

SOLON: Em janeiro de 2018 eu disse que se não fosse tomadas certas providências, a prefeitura iria entrar numa situação extremamente difícil. A coisa não descambou há mais tempo porque a Câmara, como já disse, injetou quase R$ 5 milhões em emendas de deputados aqui no município. Você quer saber de outra? Aqui no Espírito Santo tem uma faixa de terras que pertence ao município, entretanto, quem recolhe os impostos é o estado capixaba. Em Serra dos Aimorés tem uma localidade chamada de Matinha que também pertence à Nanuque e os impostos são recolhidos naquela cidade. Quer saber de outra? Recentemente nos visitou um advogado baiano que nos informou que a cidade de Itapebi, na Bahia, tem uma usina elétrica do porte da nossa. Itabepi recolhe de royalties algo em torno de R$ 197 mil todos os meses enquanto que nós arrecadamos cerca de R$ 20 mil. Segundo esse advogado, nós temos uma retroatividade de cinco anos para cobrar esses royalties da usina. Veja se o prefeito se interessou em buscar soluções para esses casos. Não. Preferiu ficar choramingando pelos cantos e procurando um argumento para colocar a culpa na Câmara e no Governo do Estado.

EMTEMPO: Uma notícia que corre na boca dos fofoqueiros de plantão é de que o senhor teria declarado que se houvessem pregos para ser colocado nas paredes da Câmara o dinheiro não seria devolvido à prefeitura...

SOLON: Eu disse isso no sentido figurado. Veja que eu peguei a Câmara com goteiras por todos os lados, apliquei dinheiro na solução dos problemas, saneei as dívidas e hoje estamos devendo um valor estimado de R$ 16 mil da última legislatura e estamos equacionando essas contas para quita-las o mais breve possível. Aqui não vem cobrador. Mandamos o cheque na casa do fornecedor na data do vencimento.

EMTEMPO: O prefeito está à cata de votos o suficiente para retornar os projetos 002 e 063/2019, do saneamento, na pauta da Câmara...

SOLON: É a conversa que está aí. Mas eu acho que ele deveria elaborar um projeto à altura dos contribuintes de Nanuque e não para prejudica-los, fazê-los pagar tarifas exorbitantes para proporcionar dividendos aos acionistas da Copasa é algo que não aceitaremos.

EM TEMPO: Mas para serem aprovados os PL’s serão necessários nove votos...

SOLON: Isso mesmo.

EM TEMPO: Então, pelo resultado da primeira, tudo leva a crer que não será aprovado em segunda votação...

SOLON: Não sei. Isso é como nuvem. Você olha ela está de um jeito. Você torna olhar e ela está diferente.

EMTEMPO: O PL 063/2019 cita o tempo todo a concessionária Copasa. Isso quer dizer que não haverá licitação pública para escolher uma concessionária...

SOLON: É isso mesmo. Não se tem notícia de algo nesse sentido e não podemos aceitar que a coisa caminhe dessa forma.

EMTEMPO: Então não abriu concorrência pública?

SOLON: Ele diz que abriu, mas pelo que está tramitando na Câmara podemos entender que não houve concorrência. Você viu por aí algum edital nesse sentido? E outra, a Copasa não participa de concorrência pública porque sabe que não ganha. Pará de Minas, por exemplo, tem uma empresa chamada Águas de Pará de Minas, subsidiária da Águas do Brasil e que trabalha com uma taxa 23% menor que a nossa. A infraestrutura deles é uma coisa fantástica. Tudo é informatizado e quando ocorre um problema, seja de qual gravidade for, o sistema acusa e a empresa tem condições de resolver num prazo de até 30 minutos. Aqui em Nanuque quando quebra um cano a cidade fica o dia todo sem água.

EM TEMPO: Retroagindo no tempo, em 2018 o Executivo esteve em Belo Horizonte e acordou com a Copasa a cessão da infraestrutura de Nanuque para a empresa. Isso irritou a Câmara e ele teve de anular o acordo. Como o senhor viu aquela situação?

SOLON: Com a reação dos vereadores, ele viu que estava errado e mandou um projeto para a Câmara para validar o destrato que foi feito. Porque se for aprovado a concessão para a Copasa, o distrato passa a valer e a empresa usará a infraestrutura sem dar nada em troca.

EMTEMPO: O prefeito fez duras críticas a determinados vereadores pela reprovação dos projetos...

SOLON: Não vou negar que Roberto seja um sujeito inteligente. Ele tem um bom discurso e boa argumentação, até mesmo pelo fato dele ser advogado e ter o dom de falar com uma convicção que leva as pessoas a acreditar naquilo tudo, mas eu o comparo àquele engenheiro aeronáutico que constrói um avião e na hora de pilota-lo, joga o aparelho no chão.

(Fonte EM TEMPO)

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