Publicado em 19/03/2017 às 20h14

SUZANO NÃO PRESERVA MEIO AMBIENTE NO VALE DO MUCURI

Acássio Vieira, prefeito de Carlos Chagas, esteve em reunião com setores da Suzano para tratar sobre um projeto ambiental nas nascentes, mas, segundo ele, não foi bem recebido.

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A situação da bacia do rio Mucuri na região passa por um processo de degradação nunca visto em sua história. Estudos apontam que o Vale do Mucuri já é uma região semiárida e a tendência é de piora, visto que, não há um projeto que objetiva a recuperação das águas do sistema que irriga a região. Córregos, riachos e o próprio rio Mucuri, nunca teve um nível de água tão baixo e a tendência não é de recuperação. O problema causa preocupação nas populações ribeirinhas que bebem do próprio sistema. Nos últimos anos, secas avassaladoras têm atingido o nordeste de Minas Gerais e, com isso, tem provocado prejuízos de grande monta à cadeia produtiva que depende da água para movimentar a economia na região.

Um estudo define o Mucuri como um dos rios de correnteza acentuada e, portanto, um dos mais rápidos do mundo. Seu sistema de drenagem faz com que sua água chegue rapidamente ao oceano Atlântico. Mesmo com as parcas chuvas que têm caído na região, a água não consegue manter os rios em níveis satisfatórios. Estudiosos também concluem que o problema pode estar na destruição das matas ciliares das regiões ribeirinhas e isso contribuiu para a diminuição da produção de água fazendo com que os níveis da bacia se declinassem a níveis nunca vistos. Especialistas sugerem ainda, que a recuperação das matas ciliares poderia ajudar a reverter o problema e fazer com que a bacia tenha uma produção de água que satisfaça as necessidades,mas isso, ainda segundo eles, é algo que não parece fazer parte dos interesses da classe empresarial, porque seriam necessários pesados investimentos no setor e muito tempo na espera por resultados.

A Suzano Papel e Celulose, indústria de papel localizada no município baiano de Mucuri,é uma das que se servem da água do sistema para tocar a produção de sua fábrica naquele município, entretanto, recentemente a empresa adquiriu uma usina hidrelétrica na cidade de Carlos Chagas e, a população encarou o negócio como uma possibilidade de que a empresa viesse a investir na recuperação das nascentes que alimentam a bacia hídrica do Mucuri. No entanto, a empresa até o presente momento não sinalizou investimentos para esse propósito. Vale ressaltar que a água produzida no sistema do Mucuri, serve para a própria fábrica movimentar sua linha de produção.

Acássio Vieira, prefeito de Carlos Chagas, esteve em reunião com setores da Suzano para tratar sobre um projeto ambiental nas nascentes, mas, segundo ele, não foi bem recebido. “Eu não gostei da recepção que tive lá. Vamos procurar todos os direitos que temos, inclusive para cobrar todo o passivo que a empresa tem com o município e, se precisar de mobilização, a gente vai à Igreja, na Fundação Palmares, no INCRA, acionamos todo mundo que for preciso e faremos um enfrentamento ante uma empresa poderosa e que foi desrespeitosa na visita que fizemos lá.” Disse Acássio.

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O prefeito de Carlos Chagas disse ainda, que se ofereceu como parceiro para o projeto de preservação de nascentes porque, segundo ele, se for analisar, a Suzano já é dona de tudo. “Ela é dona da estrada que serve para o tráfego de enormes carretas de madeiras que vêm do Vale do Jequitinhonha e passam por aqui estragando a estrada. A Suzano é dona das caixas d’água, é dona da hidrelétrica de Carlos Chagas e vai ser dona da hidrelétrica de Nanuque também. Me falaram lá que eles têm um projeto de R$ 2 bilhões lá em Mucuri, mas precisam de água para tocá-lo. De modo que entendo que eles têm de contribuir na preservação de nascentes senão, não terão a água de que necessitarão. Na oportunidade, nos oferecemos como parceiros. O Banco do Brasil também tem uma linha de financiamento para os projetos de preservação de nascentes. Então, colocamos tudo isso para buscar uma solução para as cidades da região. Eu conversei com o Roberto de Jesus, prefeito de Nanuque, conversei com Iran Cordeiro de Serra dos Aimorés, ainda não conversei com a prefeita de Montanha no Espírito Santo, mas daria para beneficiar aquela cidade também e talvez até Lajedão, porque num raio de 50 kms, você pode transportar o resíduo sólido para servir os aterros daqui (Carlos Chagas) e Nanuque também. Vai servir para Serra dos Aimorés e vai servir para Montanha. A gente poderia fazer um consórcio que trabalharia nesse projeto. Até porque, todas essas cidades fazem parte da área de atuação desta empresa e quando eu propus isso, eles sequer deram sequência ao assunto. Abortaram definitivamente a discussão, quer dizer, eles não têm nada para contribuir sob o ponto de vista ambiental. Afinal, pra que nós queremos uma empresa dessa aqui, se ela é insensível nas questões social e ambiental? Eu falei com eles sobre o fato trazerem funcionários de outros lugares para trabalhar na manutenção dos eucaliptos. Nós temos diversos órgãos que podem preparar a mão-de-obra e a gente vai discutir sobre a questão da empresa estar aqui e não gerar emprego na cidade. Apesar de ter discutido com o Roberto de Jesus e com o Iran, senti que ainda não fui muito bem ouvido e eu gostaria que pudéssemos reavaliar isso. A Suzano diz que vai colocar um viveiro de mudas em Nanuque, mas não querem discutir um aterro sanitário que Nanuque precisa. Nanuque não tem R$1 milhão pra fazer um aterro sanitário e nós também não e Serra também não o tem. Então todo mundo tem um passivo ambiental. Nós vamos ser multados e a empresa que tira toda a riqueza daqui, não quer contribuir em absolutamente nada. Nós não estamos pedindo para eles pagarem os projetos, estamos pedindo para eles serem parceiros das cidades envolvidas”, desabafou Acássio.

A Suzano Celulose foi procurada para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da matéria a empresa não se manifestou. (Por: Salvador Lima)

(Fonte EM TEMPO)

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