Publicado em 16/07/2020 às 16h15

ENERGIA SOLAR - REVELADO O SEGREDO DE PROJETO MINEIRO, PIONEIRO NO MUNDO

Além da geração direta de energia para o pivô, o equipamento traz como grande inovação a potência alcançada, em larga escala

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Chegou ao fim um segredo de meses. Foi revelada em Live promovida pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES, nesta quinta (16/7), a cidade mineira onde está instalado o primeiro pivô totalmente movido por energia solar no mundo: Perdizes

O projeto, em testes há mais de seis meses, será lançado oficialmente até o fim do mês. Além da geração direta de energia para o pivô, o equipamento traz como grande inovação a potência alcançada, em larga escala. São 128 kw de pico, movimentando 10 lances de pivô. Na propriedade, irriga 96 hectares, por 6 a 8 horas diárias.

O equipamento já está pronto para ser comercializado, e a fabricante (Solbras/Valley, uma multinacional brasileira com sede em Uberaba) já conta com pedidos de outros países. O investimento, segundo o diretor presidente, Rui Ruas, depende da escolha de fatores como o tipo de tecnologia – fixa ou móvel –, do tamanho da área e tempo de irrigação: “Neste projeto pioneiro, instalado em Perdizes, o investimento ficou em pouco mais de R$ 500 mil”. 

“Minas Gerais tem uma insolação muito boa e uma vocação agrícola. O agronegócio tem grande potencial para a energia solar, e representa 80% dos projetos instalados pela Valley. Por isso, a escolha de Perdizes para esse projeto inovador foi perfeita”, explicou Rui. 

Com o tema “Energia solar no campo”, a Live foi oportunidade para os produtores rurais conhecerem o crescimento do setor, as inovações e as oportunidades de investimento na geração de energia limpa nas fazendas.

O vídeo completo está no canal do Sistema FAEMG no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=cLm-vw9Vywk&feature=youtu.be

 

OUTROS DESTAQUES DA LIVE

 Roberto Simões, presidente do Sistema FAEMG/ SENAR / INAES 

  • “Energia limpa é uma tendência que precisamos incorporar aos nossos processos produtivos, sobretudo na agricultura. O futuro demandará mudarmos nossa matriz energética, caminhando para fontes sustentáveis.”
  • “Outro caminho que precisaremos trilhar é o da irrigação. A FAO projeta que, para garantir alimentação à população mundial, que cresce exponencialmente, o Brasil precisaria aumentar em, pelo menos, 40 % a produção agropecuária, que já é muito grande. E isso, com cada vez menos terras disponíveis. Não há como atender esta meta sem irrigação.”
  • “Acreditamos que o uso de energias limpas é um setor promissor, e que irá progredir muito. Pretendemos, com essa Live, levar aos produtores informações sobre as tecnologias relativamente pouco utilizadas no Brasil e que precisam ser muito mais popularizadas para atingirmos esse objetivo de maior produtividade com sustentabilidade. Conhecimento é o primeiro insumo para a produção agropecuária. O produtor precisa conhecer as opções que tem, saber sobre os custos e os benefícios, e entender como funcionam, para estar apto a tomar decisões sobre a viabilidade de adotá-las ou não.”

 

Rui Ruas, diretor presidente da Solbras 

  • “Gerar e ter energia disponível é muito mais do que um direito, é uma grande oportunidade de negócio também. Todo ano o produtor planta, espera a chuva ou irriga (melhor alternativa) e encara o risco de pragas. Mas tem uma safra que pode ser colhida todo mês que é a safra de energia. E pode ser para sempre.”
  • “É possível ganhar dinheiro com ela e ter energia disponível para avançar em áreas remotas, em que só seria possível cultivar com irrigação. Cada vez mais, as novas áreas disponíveis são áreas mais arriscadas, que precisam de irrigação. E o fator limitante para isso é energia. Por isso, a importância destes novos projetos de energia solar.”
  • “O produtor deve ter visão empreendedora, até para avaliar os riscos e benefícios do investimento. E é necessário um estudo técnico, uma avaliação caso a caso, porque é preciso considerar muitos fatores para entender a viabilidade do projeto.”
  • “Já temos pedidos de outros países para essa solução que construímos aqui, dentro de Minas Gerais. Locais que precisam aumentar sua produção de alimentos, tanto para alimentar sua população quanto para aumentar sua competividade econômica. O potencial dessa ferramenta de acabar com a fome no mundo é imenso.”

 

Bárbara Rubim, vice-presidente de Geração Distribuída da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) 

  • “A energia solar tem um espaço ainda muito grande para ocupar dentro da matriz elétrica brasileira e a perspectiva é muito boa – temos visto um crescimento muito grande do setor. A projeção é que, em 2050, a energia solar vai ser a maior fonte de energia elétrica do Brasil, passando inclusive a fonte hídrica. E tivemos um fenômeno muito importante este ano que foi a geração distribuída (que é a energia solar gerada perto do centro de consumo) ter ultrapassado a capacidade instalada da geração centralizada solar (que são os grandes empreendimentos e plantas construídas).
  • “A ABSOLAR tem trabalhado muito em conjunto com CNA nos últimos anos, para melhorar as condições para que o produtor rural possa contar com melhores linhas de financiamento e facilitação de processos burocráticos para ter acesso e se beneficiar da energia solar em processos como irrigação, secagem ou dessalinização, em sua atividade produtiva. O consumidor rural é o que tem melhores condições de financiamento para o sistema solar fotovoltaico, com as taxas de juros mais interessantes. Pode ser interessante trocar a conta de luz pela parcela do financiamento.”
  • “O estado de Minas Gerais é pioneiro em políticas públicas para o desenvolvimento da energia solar, que fizeram o estado ser o líder em energia solar fotovoltaica para geração distribuída no Brasil. Em Minas, o produtor rural já é o terceiro maior usuário de energia solar fotovoltaica. E vem subindo rankings rapidamente nos últimos dois anos. E quem sabe terminará 2020 com uma expressão ainda maior do uso dessa energia no campo.”
  • “Temos trabalhado em parceria com entidades do setor do agronegócio para melhorar o acesso dos produtores à energia solar, porque acreditamos que a produção de alimentos associada à sustentabilidade, à energia renovável e limpa, é atender o compromisso brasileiro com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável preconizados pela ONU.”

  

(Fonte FAEMG/SENAR)

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