Publicado em 27/11/2020 às 18h15

INFINITY TENTA PROTELAR VENDA DA ALCANA

Medida pode causar revolta e piorar caos social que ela criou na região

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FOTOS QUE TESTIFICAM O ESTADO DE ABANDONO DA USINA, QUE OUTRORA FOI MOTIVO DE ORGULHO PARA O VALE DO MUCURI

O Vale do Mucuri vive a expectativa do retorno das operações da Usina Alcana arrematada em Leilão Judicial pelo grupo ALCON. Entretanto, a massa falida do grupo Infinity Bio Energy, que adquiriu a planta da Alcana e de outras cinco, todas fechadas pela ingerência, agora busca protelar a venda da usina apregoada em leilão. No último minuto do prazo para recursos, a massa falida entrou com embargo, para protelar a venda.

A compra da Alcana pelo grupo Infinity, ainda no início da década passada, causou expectativas positivas para a economia da região, porém produtores, fornecedores e funcionários amargaram prejuízos incalculáveis e que ainda causam sofrimentos. A ação da Infinity criou caos social na região, com o fechamento da Alcana, Cridasa e Disa, a Ibiralcool ainda opera porque foi adquirida por outro grupo.

No estado em que se encontra, a planta da Alcana precisa de    reforma antes de retornar as atividades. Produtores veem na ação da Infinity, uma forma de causar prejuízos para a região. “Eles ficaram devendo a cana fornecida e agora que poderíamos amenizar os prejuízos, a Infinity quer piorar a situação. Se eles dessem a usina de graça, estariam fazendo um grande favor”, relatou um produtor de cana, que pediu anonimato. 

Usina em estado de abandono, tanques ao meio do matagal

Segundo informações, a Infinity não pagou alguns funcionários e as ações judiciais, que em sua maioria correu à revelia, ainda não foram totalmente concluídas. Inúmeros pais de família sofreram por não terem recebido as indenizações, “um verdadeiro caos social que essa empresa deixou para nós, agora não querem que voltemos ao trabalho, isso é uma injustiça”, disse um ex-funcionário, cujo processo se arrasta na Justiça do Trabalho. 

Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Nanuque, a ação pode gerar muita polêmica e consequências irreparáveis, já que muitos produtores apostaram no retorno da produção de álcool e açúcar. “É muito triste, pois a Infinity esteve com a usina que paralisou pouco tempo depois, não a colocou para produzir, gerando consequências na criação de empregos e renda para a população e o que é pior, atrasou o desenvolvimento regional. Espero, que estas ações judiciais sejam logo resolvidas, pois o grupo Alcon, que adquiriu a Alcana, deverá produzir logo e com certeza, alavancará o desenvolvimento de Nanuque e região, ainda mais que o novo comprador, tem familiares enraizados em nosso município”, disse Alessandro Ferreira. 

Para Mário Campos, presidente da SIAMIG – entidade que congrega o setor sucroenergético do Estado de Minas Gerais –, uma empresa do setor sucroalcooleiro tem capacidade de empregar um contingente muito grande de pessoas. Ele conta que no apogeu da Alcana, época em que a destilaria chegou a moer 1,5 milhão de toneladas, gerou recursos importantes para a economia não só de Nanuque, mas também do estado de Minas Gerais. “Uma empresa nesse cenário, gera algo em torno de 1.000 empregos diretos. Deixando de atuar, esses empregos são desativados e o impacto na economia da cidade é incalculável”, pontuou. 

Mário Campos, presidente da SIAMIG

Segundo Campos, Minas Gerais tem um mercado pujante na produção de etanol. O estado é um grande consumidor do produto. Ele fala da satisfação que teve ao receber a notícia de que a Alcon – Destilaria de Álcool de Conceição da Barra havia adquirido a Alcana. Ele disse esperar que a nova proprietária possa reativar o quanto antes a usina para que a economia regional entre num ciclo de prosperidade. “Minas Gerais, ao longo desse período de crise no setor, perdeu cerca de 11 usinas e entre elas a Alcana. O que gerou grande sofrimento pela perda de milhares de empregos. Famílias inteiras perderam a qualidade de vida por conta dessa crise, porém, fizemos um trabalho que resultou, em 2020, na abertura de duas usinas no Triângulo Mineiro. Então, usinas que foram fechadas lá atrás, como a Alcana e que foram adquiridas em leilão, por processos semelhantes a esse que ocorreu. Sem dúvida que a reativação da usina trará para a região de Nanuque uma nova perspectiva. Uma perspectiva de mais empregos, geração de renda e tributos. Nós da SIAMIG, entidade que representa o setor em Minas Gerais, esperamos que tudo transcorra dentro da normalidade e que dê tudo certo para que a Alcon, importante empresa do setor no estado do Espírito Santo e que é muito sólida, possa vir para Minas e reativar essa unidade industrial”, finalizou Mário Campos.

O presidente da Câmara Municipal de Nanuque, vereador Solon Ferreira da Rocha Filho, é contundente quando se trata de promover o desenvolvimento econômico do município. Para ele, a tentativa da massa falida que representa o Grupo Infinity, é mais uma manobra para dificultar o leilão que foi realizado nos trâmites judiciais. Contudo, acredita o vereador, os prejuízos serão imensos já que o fechamento da destilaria de Nanuque promoveu um abalo sem precedente na região. Com a reativação da usina, diz ele, a geração de emprego trará um novo alento para nossa população. “Às vezes fico imaginando quantos empregos a usina poderá gerar nos vales do Mucuri e Itaúnas. Partindo do pressuposto de que a Alcana, em pleno funcionamento, gerará 1.000 empregos diretos, a quantidade dos indiretos será três ou quatro vezes maior. Dessa forma os benefícios serão muito grandes. Quando o Grupo Infinity comprou a Alcana, houve, por parte dos setores produtivos, uma expectativa de desenvolvimento muito grande, com a falência da Infinity, a frustração, somada com o desemprego, levou nossa economia para o buraco”, relembra Solon.

Para Renato Louzi, assessor parlamentar do deputado estadual Carlos Pimenta, Nanuque passou por sérias dificuldades com o encerramento das atividades da Alcana. Inúmeros investimentos foram realizados em vários setores que atendiam a empresa através da venda de materiais, insumos e outras como prestação de serviços. “Agora que a população vivencia uma nova probabilidade para o setor, a Infinity quer atrasar o processo. É preciso que haja uma grande mobilização para defender os interesses de nossa região. Não podemos aguardar passivamente que tudo aconteça dentro dos interesses da requerente, a participação popular é fundamental. Nossos representantes nas esferas estadual e federal, têm de buscar meios para defender nossos interesses. Nanuque não pode mais, sofrer com essa empresa que causou tantos prejuízos para a região”, pontuou Louzi. 

O Grupo Alcon, através de nota publicada após a compra, que serão necessários investimentos na ordem de R$ 40 milhões para colocar a planta industrial em condições de operar e outros R$ 100 milhões para aplicar no plantio de matéria prima. Isso poderá gerar cerca de 2.500 empregos diretos, fator primordial para reativar a economia. O que tem criado uma expectativa no comércio local, com esperança de dias melhores.

(Fonte EM TEMPO)

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