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Após vazamento de anotações, Roscoe ganha protagonismo na disputa em Minas

Os Flávios poderão formar palanque forte no Estado

Após vazamento de anotações, Roscoe ganha protagonismo na disputa em Minas
Por: EM TEMPO
postado em 03 de março de 2026

O cenário eleitoral em Minas Gerais ganhou novos contornos após o vazamento de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento, revelado pela Folha de S.Paulo, cita possíveis nomes para a disputa ao governo mineiro e expõe avaliações internas sobre o impacto eleitoral de cada pré-candidato.

Entre os nomes que emergiram com força está o do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Empresário do setor têxtil, ele está em seu segundo mandato à frente da entidade e já comunicou à diretoria que pretende se desincompatibilizar do cargo em abril, movimento interpretado como passo decisivo rumo a uma eventual candidatura, possivelmente pelo Partido Liberal.

Após vazamento de anotações, Roscoe ganha protagonismo na disputa em Minas

O senador Flávio Bolsonaro (esq.) e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe - Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Fiemg

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (2), na sede da federação, Roscoe afirmou que sua possível entrada na disputa não seria movida por um “projeto de poder”, mas pela intenção de contribuir com o desenvolvimento do Estado. Segundo ele, há diálogo em curso com lideranças políticas, ainda em estágio preliminar. “O movimento político depende de várias variáveis. O objetivo é contribuir com o processo, somar e não dividir”, declarou.

Avaliações internas

As anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro mencionam o vice-governador Mateus Simões (PSD) como um nome que poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial do grupo bolsonarista em Minas. Simões é aliado do governador Romeu Zema (Novo) e possivelmente tem o apoio de parlamentares como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Após a repercussão, Flávio Bolsonaro afirmou que o conteúdo não expressa posições pessoais, mas sim avaliações e palpites apresentados por lideranças locais durante reuniões partidárias.

O episódio escancarou uma divisão já existente no PL mineiro. Parte da sigla defende o apoio a Simões; outro grupo avalia que o vice-governador enfrenta dificuldades eleitorais e poderia comprometer o desempenho do bolsonarismo no Estado.

Três cenários no PL

Nos bastidores, o partido trabalha com três hipóteses: apoiar Simões, apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar candidatura própria. Neste último cenário, Roscoe surge como alternativa de consenso caso as negociações não avancem.

A articulação envolve lideranças estaduais e nacionais. Roscoe mantém diálogo com parlamentares do PL e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos coordenadores políticos do grupo.

Além da disputa estadual, fontes indicam que o nome do industrial também chegou a ser ventilado para compor eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro, em movimento que repetiria a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2022, quando teve como vice o general Walter Braga Netto, nascido em Belo Horizonte.

Por ora, a eventual candidatura de Roscoe é tratada como plano alternativo e dependerá do desfecho das negociações políticas nas próximas semanas. Enquanto isso, o vazamento das anotações intensificou o debate interno no PL e reposicionou o empresário no centro das articulações eleitorais em Minas Gerais.