Os entraves entre os pré-candidatos ao Senado Marcelo Aro (PP) e Carlos Viana (PSD) podem dificultar ou até mesmo inviabilizar a indicação do governador Mateus Simões para disputar a reeleição. Os dois pré-candidatos têm demonstrado dificuldade em construir uma composição conjunta. Marcelo Aro, inclusive, tem sinalizado que a Federação União Progressista poderá buscar outros caminhos caso o impasse permaneça.
Carlos Viana filiou-se ao PSD com a garantia do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, de que será o indicado para disputar o Senado. Nos bastidores, a mesma sinalização teria sido dada ao atual chefe do Executivo mineiro, Mateus Simões. No entanto, como a política é marcada por mudanças de cenário, a indicação de Kassab para compor como vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado pode alterar as estratégias eleitorais em Minas Gerais.

Marcelo Aro mostrou descontentamento com filiação de Viana ao PSD - Fotos: Geraldo Magela/Agência Senado | Dirceu Aurélio / Imprensa MG
Kassab precisará de um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do país. Caso Simões mantenha compromisso com um candidato de outra legenda, o PSD poderá rever sua estratégia no Estado.
Sem Mateus Simões na disputa, surgem dúvidas sobre o destino dos pré-candidatos ao Senado. Carlos Viana tende a acompanhar o projeto que ofereça sustentação à candidatura de Caiado. Marcelo Aro, por sua vez, pode aproximar-se do senador Cleitinho, que ainda não definiu publicamente qual será seu projeto político para 2026.
O PL já definiu o deputado federal Domingos Sávio como pré-candidato ao Senado, embora ainda exista espaço para novas composições. No PSDB, o nome do ex-governador Aécio Neves continua sendo articulado para disputar uma vaga na Câmara Alta. Já o PT mantém como pré-candidata ao Senado a ex-prefeita de Contagem, que reafirma ter deixado a prefeitura com o objetivo de disputar uma cadeira no Congresso Nacional.
Enquanto isso, o senador Cleitinho Azevedo filiou seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, inicialmente para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, embora seu nome também seja cogitado para outras possibilidades eleitorais.
Na avaliação de cientistas políticos, divergências públicas entre lideranças que pretendem integrar uma mesma chapa costumam enfraquecer o grupo e ampliar o espaço para adversários políticos. Quando disputas internas deixam de ser resolvidas nos bastidores e passam a influenciar a definição das candidaturas, cresce a possibilidade de mudanças nas alianças e até de reconfiguração completa do cenário eleitoral.
Nesse contexto, a resistência de Marcelo Aro em aceitar Carlos Viana em uma eventual chapa liderada por Mateus Simões pode dificultar a construção de uma frente unificada e provocar desdobramentos que ultrapassam a disputa pelo Senado, influenciando também a corrida pelo Governo de Minas Gerais.





