O plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi palco de um discurso contundente do deputado estadual Carlos Pimenta contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu 90 dias de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sem suavizar as palavras, Pimenta classificou a medida como “determinantemente política” e afirmou que ela não encontra respaldo na medicina. Para o parlamentar, estabelecer um prazo fixo para recuperação de um paciente em estado delicado é, no mínimo, questionável. “Não vejo nenhum embasamento científico, médico para se fazer uma aberração dessa natureza. Isso não existe. Cheguei à conclusão, assim como milhões de pessoas; a própria imprensa está falando sobre isso, de que, na verdade, foi uma decisão eminentemente política”, afirmou.
O deputado foi além e sugeriu que a decisão pode ter sido influenciada por receios de desgaste institucional, caso o ex-presidente permanecesse preso em condições de saúde consideradas frágeis. Em tom crítico, também afirmou que a medida desconsidera critérios técnicos da área médica e chega a representar, segundo ele, uma afronta à categoria.
“Não existe previsão científica para cravar 90 dias de melhora. Isso não é medicina, é decisão com outro tipo de motivação”, disparou da tribuna.
Pimenta ainda reforçou sua visão de que a condução do caso não deveria ter prazo determinado e defendeu que, diante de um quadro clínico grave, o acompanhamento deveria ser contínuo e sem limitações temporais.
As declarações elevam a temperatura política em torno do caso, que já provoca reações divergentes entre aliados e críticos. Enquanto isso, a decisão do Supremo segue amparada nos dispositivos legais que permitem a concessão de prisão domiciliar em situações excepcionais, incluindo questões de saúde, tema que agora se torna também centro de disputa no campo político.

