A disputa pelo Senado em Minas Gerais começa a revelar, além das diferenças entre os candidatos, uma disputa silenciosa dentro dos próprios partidos. No PL, a possível debandada de candidatos a deputado federal e estadual e até de postulantes ao Senado em direção à campanha de Cleitinho pode representar um problema para a candidatura de Domingos Sávio.

Domingos Sávio e Flávio Roscoe são os candidatos majoritários do partido em Minas - Foto: Beto Barata/PL
Nos bastidores, a movimentação é vista com preocupação. Afinal, quando candidatos de uma mesma legenda começam a olhar para fora do próprio partido em busca de melhores condições eleitorais, fica evidente que os projetos individuais podem estar falando mais alto do que a estratégia partidária.
Para analistas políticos, esse comportamento não é incomum. Geralmente, ele aparece quando o candidato percebe que a campanha não conseguiu a adesão esperada e que a derrota começa a bater à porta. É nesse momento que alguns passam a procurar outro caminho, outro palanque ou outra candidatura que possa oferecer melhores perspectivas de votos.
Em política, quando o barco começa a balançar, alguns preferem procurar outro refúgio.
O problema é que esse movimento pode produzir um efeito dominó. Se cada candidato decidir seguir exclusivamente aquilo que considera melhor para sua própria eleição, a legenda perde unidade, força política e capacidade de coordenação.
A situação ganha ainda mais importância com a entrada de Aécio Neves na corrida por uma vaga ao Senado e mesmo com o crescimento de Flávio Roscoe. A disputa pelas duas cadeiras mineiras tende a ficar cada vez mais acirrada, tornando fundamental a capacidade de cada grupo político de reunir apoios e organizar sua estrutura eleitoral.
Para Domingos Sávio, portanto, o desafio não está apenas nos adversários de outras legendas. Está também em manter coeso o próprio campo político.
E há uma pergunta circulando nos bastidores: se o PL possui candidatos que receberam estrutura, legenda e recursos do fundo eleitoral, até que ponto existe compromisso deles com o projeto partidário quando as pesquisas ou as ruas não entregam o resultado esperado?
A resposta deverá aparecer durante a campanha.
Porque, no fim das contas, eleição é projeto coletivo mas, quando a derrota começa a se aproximar, alguns políticos parecem descobrir que a própria sobrevivência eleitoral vem antes da fidelidade partidária.
E, nesse jogo, quem abandona o barco antes da hora pode até tentar salvar a própria candidatura. Mas também pode ajudar a afundar o projeto que deveria defender.





