A Suzano sofreu mais uma derrota na Justiça em uma disputa envolvendo o Município de Serra dos Aimorés. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou o pedido da empresa para suspender as determinações impostas pela primeira instância no processo que envolve as condições da Rua Rio Abaeté.

Retrato do tráfego pesado que tem causado transtorno aos miradores da Abaeté - Foto: Em Tempo/arquivo
A decisão foi tomada no Agravo de Instrumento nº 2827170-32.2026.8.13.0000/MG. Com o indeferimento do efeito suspensivo, continuam valendo as obrigações determinadas anteriormente pela Justiça, entre elas medidas relacionadas à segurança da via, controle do tráfego e reparos e sinalização em pontos de drenagem considerados de risco.
Reclamações aumentam
Enquanto a disputa judicial avança, moradores da Rua Rio Abaeté relatam uma rotina marcada pelo intenso movimento de carretas que transportam madeira.

Bueiros abertos com o peso das carretas prejudicam e acidentam moradores - Foto: Em Tempo/arquivo
Segundo os moradores, a passagem constante dos veículos pesados provoca poeira, lama, barulho e deterioração da via, além de aumentar os riscos de acidentes.

O morador Clemente Silva afirma que o problema tem afetado até mesmo o sono das famílias. “Com a circulação desenfreada das carretas com madeira, temos sido obrigados a viver à base de soníferos, porque não conseguimos dormir em paz. Quando não é poeira, é lama. A porta da minha casa virou um chiqueiro”, relatou.

Patrimônios particulares sofrem danos com o tráfego pesado e constante na via - Foto: Em Tempo/arquivo

Outro morador contou que sofreu um acidente ao tentar sair de casa com um triciclo. “Os buracos deixados pelos caminhões me derrubaram. É um perigo constante”, afirmou.
Barulho também preocupa famílias
Os relatos não se limitam às condições da rua. Moradores dizem que o barulho provocado pelo tráfego de veículos pesados durante o dia e à noite tem interferido na rotina das famílias.
Um morador, que preferiu não se identificar, afirmou que os filhos pequenos têm enfrentado dificuldades para dormir e que isso estaria refletindo no desempenho escolar. “O barulho é constante, dia e noite. As crianças não descansam, e isso está afetando a escola”, disse.
Arquivo: Vídeo mostra a angústia dos moradores da Rua Abaeté do barulho constante provocado pelas carretas
Multas continuam valendo
Na decisão, o TJMG também manteve as multas previstas para eventual descumprimento das determinações judiciais.
Ao analisar o pedido da Suzano, o Tribunal entendeu que a empresa não apresentou elementos concretos capazes de demonstrar que as medidas determinadas poderiam provocar dano grave ou comprometer de forma substancial suas atividades.
Para o Tribunal, a determinação referente ao tráfego exige apenas o cumprimento dos limites legais. Em relação às demais providências, os custos alegados pela empresa, embora possam representar impacto econômico, não foram considerados suficientes, neste momento, para caracterizar dano grave ou de difícil reparação.

Por enquanto, as determinações da primeira instância permanecem de pé e deverão ser cumpridas.





