A disputa pelo governo de Minas Gerais começou a ganhar temperatura antes mesmo da abertura oficial da campanha eleitoral. O vice-governador Mateus Simões (PSD) fez duras críticas ao presidente do Republicanos em Minas, o deputado federal Euclydes Pettersen, em declarações que acabam atingindo diretamente o senador Cleitinho Azevedo, apontado como possível adversário na corrida pelo Palácio Tiradentes.

Senador Cleitinho (Republicanos-MG) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
As falas ocorreram durante agenda do vice-governador em Uberlândia. Em tom crítico, Simões afirmou que o Republicanos deveria priorizar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo seu dirigente estadual antes de discutir a administração do estado.
“Eu acho que o Republicanos tem que se preocupar mais em explicar a situação do presidente estadual do partido, que está quase preso pela Polícia Federal, do que ficar falando em administrar o estado”, declarou.
Apesar do ataque, Simões ressaltou que respeita a trajetória política de Cleitinho. Ele lembrou que ambos iniciaram suas carreiras na política municipal, Simões em Belo Horizonte e Cleitinho em Divinópolis e disse esperar que não se tornem adversários diretos no pleito.
O vice-governador também afirmou que uma candidatura do Republicanos poderia levar para o debate eleitoral temas ligados a investigações federais, o que, segundo ele, seria prejudicial ao campo político da direita no estado.
Simões tem defendido a união das forças conservadoras em torno de seu nome, com o objetivo de evitar o crescimento de um candidato ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa estadual.
Nos bastidores, porém, lideranças do Partido Liberal demonstram resistência a um alinhamento automático com o vice-governador. Parte do partido prefere uma aproximação com Cleitinho ou, em alternativa, o lançamento de uma candidatura própria ao governo de Minas.
Escândalo do INSS
O nome de Euclydes Pettersen apareceu em investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um esquema de fraudes em empréstimos consignados ligados ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Segundo a apuração, o parlamentar teria recebido cerca de R$ 14,7 milhões por meio de transferências fracionadas associadas à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais. Relatórios da investigação apontam que o deputado seria uma figura central na engrenagem do esquema, atuando como intermediário político entre dirigentes da entidade e pessoas responsáveis por indicações na estrutura do INSS.
Procurado, Pettersen informou por meio de sua assessoria que não pretende comentar o caso neste momento. Em nota, o parlamentar afirmou confiar no esclarecimento dos fatos pelas vias legais e disse respeitar o sigilo das investigações.
Relação com Cleitinho
Quando as denúncias vieram à tona, Cleitinho demonstrou incômodo com o episódio, mas evitou romper imediatamente com Pettersen. O senador costuma mencionar publicamente a gratidão ao dirigente do Republicanos, que abriu espaço para sua candidatura ao Senado em 2022, quando outras legendas de direita já haviam fechado alianças.
Com a eleição para o governo de Minas no horizonte, o episódio tende a ganhar peso no debate político e já começa a ser utilizado como elemento de disputa entre possíveis adversários. Até o momento, Cleitinho preferiu não comentar as declarações do vice-governador.





