O boi brasileiro ganhou o mundo. Nas mesas de Xangai, nos açougues de Paris ou nas churrasqueiras americanas, nunca se consumiu tanta carne produzida nos pastos do país. Em 2025, o Brasil superou os Estados Unidos e se tornou, ao mesmo tempo, o maior produtor e o maior exportador do planeta, coroando uma expansão que multiplicou por duas vezes e meia os embarques na última década e levou as venda externas ao recorde de 3,5 milhões de toneladas. Por trás dessa conquista está uma combinação difícil de enfrentar: escala, eficiência e preço — a carne brasileira custa cerca de 20% menos que a dos principais concorrentes. O sucesso, porém, começa a incomodar. Quanto mais espaço o Brasil ocupa no comércio internacional, maior é a reação de produtores, governos e concorrentes dispostos a conter seu avanço.

NO PASTO - Rebanho bovino: importadores querem limitar negócios com o país (Wolfgang Kaehler/Getty Images)
A União Europeia e a China, dois destinos importantes para a pecuária nacional, passaram a erguer novas barreiras justamente quando o protecionismo volta a ganhar força no mundo. Depois provar que sabe produzir e vender mais que ninguém, o Brasil enfrenta agora uma disputa mais complexa: defender o território conquistado, reduzir a dependência de poucos clientes e encontrar novas fronteiras antes que os mercados tradicionais fechem as porteira.





