Publicado em 02/06/2020 às 10h41

Minas recebe menos verba federal, apesar do aumento de casos

Informação é da presidenta da Federassantas, que apontou como uma das causas a subnotificação da Covid-19 no Estado

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Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia debateu situação de hospitais no interior do Estado - Foto:Clarissa Barçante

Minas Gerais deve ficar “na lanterna” no recebimento de recursos do governo federal para o combate à Covid-19, num cenário de crescimento exponencial da pandemia no Estado. O alerta foi feito pela presidenta da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas (Federassantas), Kátia Rocha.  

Ela participou, nesta segunda-feira (1º/6/20), de audiência pública da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo Kátia, a mudança nos critérios do Ministério da Saúde para rateio dos R$ 2 bilhões destinados aos hospitais do Brasil causou prejuízo a Minas.

A dirigente da Federassantas explicou que, até a recente troca de ministro da Saúde, o acordo era para ratear observando-se o volume de serviços de saúde realizados por cada Estado. Depois, a pasta informou que distribuiria a verba baseando-se em critérios epidemiológicos. “Somos campeões no atendimento filantrópico à saúde. Temos que unir a classe política para que não sejamos prejudicados no recebimento de recursos”, declarou.

Kátia Rocha pediu a união de esforços para que o Estado não seja prejudicado no recebimento de recursos 
Kátia Rocha pediu a união de esforços para que o Estado não seja prejudicado no recebimento de recursos - Foto:Clarissa Barçante

Conforme Kátia, o Estado tem dificuldade de trabalhar os dados epidemiológicos, especialmente por apresentar baixo índice de testagem. Além do percentual menor dessas verbas, Minas também conseguiu credenciar 75 leitos, apenas 1% do total de 7.500 custeados pelo Ministério da Saúde.

O subsecretário de Gestão Regional da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Darlan Pereira, reconheceu a subnotificação, mas afirmou que ela não ocorre no número de óbitos. O dado atualizado aponta mais de 10.500 casos, com 278 mortes em Minas, e 505 mil casos e 20 mil óbitos no Brasil.

Darlan acrescentou que a taxa de ocupação dos leitos de UTI, no total de 2.885, é de 71%. Já para os leitos clínicos, a situação é mais confortável, com 13 mil leitos disponíveis.

Apesar disso, há macrorregiões de saúde que têm taxas de ocupação mais altas: Jequitinhonha, Nordeste, Vale do Aço, Oeste e Triângulo Norte. Nessa última, a ocupação de leitos de UTI também está alta, assim como no Centro. Para minorar os problemas, o gestor e sua equipe têm se reunido com as coordenações dessas macrorregiões.

Parlamentar cobrou recursos para evitar colapso no interior

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Carlos Pimenta (PDT), inquiriu se não seria já a hora de liberar os atendimentos eletivos nos hospitais, para que recebam receitas adicionais e consigam se sustentar. Kátia Rocha avalia que, neste cenário de crescimento exponencial da contaminação, os esforços têm que se concentrar no enfrentamento da pandemia.

Zona da Mata - O supervisor administrativo do Hospital de Cataguases, Eliermes Almeida, disse que, para ampliar a capacidade, o hospital fez adaptações de modo a oferecer cinco novos leitos de UTI, mas ainda não conseguiu a habilitação por falta de médicos. O gestor afirmou ter receio de fazer investimentos a duras penas e depois o Governo do Estado só investir nos hospitais regionais.

Já o gerente regional de Saúde de Leopoldina (Zona da Mata), Renan de Oliveira, manifestou preocupação com o aumento dos casos na região.

(Fonte ALMG)

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