A poucos dias do início das convenções partidárias, o tabuleiro político de Minas Gerais permanece aberto. A falta de definições sobre candidaturas estratégicas, especialmente a do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem provocado mudanças nos planos das principais legendas e intensificado as negociações para a formação das chapas que disputarão o Governo do Estado e o Senado nas eleições de 2026. O resultado das convenções, previstas para os próximos dias, poderá ser bem diferente do cenário desenhado no início do ano.
Cleitinho é a principal peça do tabuleiro
O Republicanos concentra as atenções ao aguardar a decisão do senador Cleitinho Azevedo sobre uma eventual candidatura ao Palácio Tiradentes. Líder nas pesquisas divulgadas ao longo do ano, o parlamentar ainda não confirmou se disputará o governo estadual.
Diante da indefinição, a legenda marcou sua convenção para o dia 05 de agosto, último dia do calendário partidário, na expectativa de que o senador anuncie sua posição antes da homologação das candidaturas.
A decisão de Cleitinho é considerada decisiva porque influencia diretamente a estratégia de outras legendas que aguardam seu posicionamento para definir seus próprios projetos eleitorais.

PL adia convenção e prepara plano alternativo
A expectativa em torno do Republicanos levou o PL a adiar sua convenção, inicialmente prevista para o dia 23, para o dia 27. A mudança foi interpretada nos bastidores como uma forma de aguardar a decisão de Cleitinho, apontado como a principal aposta do partido para liderar um palanque conservador em Minas.
Caso o senador desista da disputa, a legenda avalia lançar um candidato próprio. Os nomes mais citados são o do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e o do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
Para o Senado, o deputado federal Domingos Sávio segue como o nome indicado pelo partido.
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Disputa pelo Senado interfere nas alianças
As negociações para o Senado também influenciam a formação das chapas ao governo.
Nos bastidores, analistas políticos avaliam que Marcelo Aro (PP) poderá disputar uma vaga ao Senado em uma eventual composição entre a Federação União Progressista e o PL. A avaliação é de que Aro não aceitaria integrar uma aliança que também tenha como candidato o senador Carlos Viana (PSD), que buscará a reeleição.
Carlos Viana integra o mesmo partido do governador em exercício, Mateus Simões, apontado como possível candidato ao Governo de Minas. Entretanto, o desempenho de Simões nas pesquisas ainda não consolidou sua candidatura, e interlocutores políticos avaliam que o projeto poderá depender da configuração das alianças partidárias durante as convenções.
PT caminha para candidatura própria
No campo da esquerda, o PT deve confirmar uma candidatura própria ao Governo de Minas. O deputado federal Patrus Ananias desponta como o principal nome da legenda e deverá discutir sua indicação em reunião marcada para segunda-feira (20), em Belo Horizonte, com deputados, dirigentes partidários e lideranças estaduais.
O encontro ocorre após agenda do parlamentar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve definir os próximos passos da estratégia petista no estado.
MDB mantém Gabriel Azevedo e busca ampliar alianças
O MDB reafirma a pré-candidatura do ex-vereador Gabriel Azevedo ao Governo de Minas. Nesta semana, o partido apresentou à imprensa a versão preliminar do plano de governo que pretende servir de base para a campanha.
Além da elaboração do programa, a legenda intensifica conversas para ampliar sua base de apoio. O MDB mantém negociações com partidos de diferentes correntes políticas na tentativa de construir uma chapa competitiva para a disputa estadual.
Segundo Gabriel Azevedo, o documento será encaminhado às direções das legendas com as quais o partido mantém diálogo.
Jarbas Soares ganha força como vice
Outro nome que passou a integrar as negociações é o do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior. Inicialmente citado como possível candidato do PSB ao Governo de Minas, ele agora aparece como alternativa para compor uma chapa como pré-candidato a vice-governador.
A possibilidade é defendida por setores do PT e vista como uma estratégia para fortalecer uma eventual aliança entre os partidos de centro-esquerda.
PDT pode ficar sem candidato ao Governo de Minas
Com a possível definição do nome de Patrus pelo PT, após uma reunião em Brasília, o PDT deverá integrar a coligação, abrindo espaço para a indicação de um candidato ao Senado Federal.
Nesse cenário, o partido tende a indicar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, para disputar a vaga ao Senado. No entanto, ainda resta saber se o atual pré-candidato ao Governo de Minas aceitará abrir mão da disputa para compor a aliança.
Próximos dias serão decisivos
As convenções partidárias que vão oficializar as candidaturas e definir as diretrizes das legendas para as eleições deste ano começam oficialmente nesta segunda-feira. Até 5 de agosto, partidos e federações terão de encerrar as especulações e confirmar os nomes que disputarão os cargos majoritários, governador e senador e, proporcionais, deputados estaduais e federais.
As convenções serão realizadas nas esferas nacional e estadual. Em Minas Gerais, no entanto, o cenário ainda é marcado por indefinições. Segundo maior colégio eleitoral do país e considerado um estado-chave para a disputa nacional, Minas concentra negociações em torno de alianças e composições de chapa, apesar do calendário apertado para a definição das candidaturas.
Veja as datas das convenções
- UP – 20 de julho
- Missão – 22 de julho
- PL – 23 de julho
- PSTU – 24 de julho
- PCB – 25 de julho
- Psol e Rede – 26 de julho
- PDT – 26 de julho
- PT, PV e PCdoB – 31 de julho
- MDB – 1º de agosto
- União PP – 1º de agosto
- PSB – 2 de agosto
- PSD – 2 de agosto
- Republicanos – 5 de agosto





